O investimento que todo brasileiro deveria conhecer

Atualizado: Mar 15



Fico realmente muito feliz em te ver por aqui, leitor, buscando adquirir conhecimento e confiança para realizar investimentos melhores! Isso nos deixa realizados, afinal, essa é nossa missão: educação financeira para o máximo de pessoas que pudermos atingir.

Quando conversamos com alguns investidores, porém, a sensação que fica é que mesmo buscando a linguagem mais simples e clara possível, as pessoas simplesmente não fazem ideia do que estamos falando, e isso pode lhes causar insegurança de dar o primeiro – ou um novo – passo rumo a investimentos mais eficientes.

Você já tem uma vida corrida, agenda cheia, pouco tempo para si, passa pouco tempo com os filhos, quando chega em casa (ou termina o trabalho do home-office, em tempos de quarentena) quer descansar... não dá pra ter uma assessoria de investimentos que mais atrapalha do que ajuda, mais te confunde do que esclarece.

Mas tudo bem. Nós vamos mudar isso a partir de agora.


O que todo investidor precisa saber

Pensando em solucionar essa insegurança e ajudar as pessoas a tirarem, pouco a pouco, seus investimentos de produtos financeiros ruins, vamos falar do Bê-a-bá no universo dos investimentos.

Por isso, resolvi começar do que considero mais básico neste nosso universo: a taxa de juros de um país.

Pense comigo por um instante: quando você gasta mais do que ganha em um determinado período, precisa apertar os cintos no orçamento pra pagar as contas, certo?

Se este aperto de cintos não for suficiente, acabamos por recorrer a empréstimos e financiamentos. Em outras palavras, nos endividamos.

Com o governo funciona da mesma maneira. Todos os anos, o governo tem uma ideia de como será seu orçamento para fazer frente aos custos administrativos da gestão pública, ao pagamento dos programas sociais, às pensões e aposentadorias, dentre outros gastos.

Se o governo conseguir gastar menos do que arrecada com os impostos e outras receitas extraordinárias (como a venda de empresas estatais, por exemplo), ele fica no azul. Por outro lado, se o governo gasta mais do que arrecada com os impostos e outras receitas extraordinárias, ele também "fica negativo", como nós.



A taxa SELIC


Quando o governo gasta mais do que ganha, ele também precisa recorrer a empréstimos. Ao invés de utilizar linhas de crédito, o que também é possível, ele geralmente recorre a uma outra maneira de se financiar: emissão de dívida. É daí que surge a dívida pública.

É simples assim. O governo precisa de dinheiro para continuar funcionando, emite um título com data de vencimento e condição de remuneração, e vende este título a quem quiser financiar suas atividades e, claro, acredita que receberá seu dinheiro, acrescido de juros, no momento do vencimento. Ninguém vai ficar distribuindo dinheiro de graça para os governos por aí, certo?

Esses títulos são negociados no sistema SELIC. O Sistema Especial de Liquidação e Custódia é um grande sistema computadorizado, a cargo do Banco Central do Brasil e da Associação Nacional das Instituições dos Mercados Abertos, desde que foi criado em 1980.

Além de ser o sistema em que se negociam os títulos da dívida pública, a sigla SELIC também tem outro significado: a taxa básica de juros da economia passou a ser chamada de taxa SELIC.

Este segundo significado, inclusive, é muito mais utilizado que o primeiro.

A SELIC, como meta de taxa básica de juros da economia, é definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) e, atualmente, está em 2% ao ano.

Na prática, a taxa SELIC serve para definir qual será a taxa de juros que corrige cerca de 35% da dívida pública e é utilizada como referência por quase todos os outros agentes da economia que trabalham com crédito de alguma forma. Dessa forma, de maneira indireta, o Banco Central busca controlar a inflação, mas este é um assunto para outro dia.

Os títulos corrigidos pela taxa SELIC, portanto, são remunerados, dia após dia, com a taxa que for definida no COPOM, a cada reunião.

Todos os dias, este título se valoriza numa fração diária equivalente aos 2% ao ano. Em outras palavras, este título está em constante valorização; ele “nunca” se desvaloriza. “Nunca” entre aspas pois, como vamos ver à frente, os títulos indexados à taxa Selic também tem um pequeno componente prefixado; esta pequena parte faz com que o título passe por marcação à mercado, o que também é assunto para outro post.

O título Selic, portanto, é corrigido sempre de acordo com a taxa de juros que o COPOM define. Se o COPOM definir que a taxa SELIC deve ser elevada para 20% ao ano, este título passará a render o equivalente a 20% ao ano; se o COPOM decidir que a SELIC deve cair para 1%, esta será a nova rentabilidade alvo dos títulos corrigidos pela SELIC.

Por ser um título emitido pelo governo - a instituição que, por definição, mais tem capacidade de honrar o pagamento de uma dívida dentro de um país - e ser corrigido diariamente por uma taxa que só faz o saldo da dívida se elevar com o tempo, isso faz do título indexado à SELIC o investimento mais seguro do país.



Qual a conclusão prática disso?

Para o investidor, é simples. Vamos recapitular:


· O governo, assim como as pessoas e as empresas, tem um orçamento limite para financiar suas atividades;


· Quando o governo não consegue "pagar as contas" apenas com o que arrecada, ele recorre à emissão de dívida para se financiar;


· Dentre os títulos que o governo emite, existe um indexado pela taxa básica de juros da economia, que é corrigido dia após dia e atualmente tem um retorno alvo de 2% ao ano;


· Este título está ao alcance de qualquer um que tenha uma conta em um intermediador financeiro como um banco, corretora ou distribuidora de valores, etc.;


· É o investimento mais seguro do país!


Quando dizemos que é possível investir melhor, estamos dizendo que, NO MÍNIMO, você deveria estar recebendo 2% de juros ao ano no investimento mais seguro do país, e não se conformar com nada menos do que isso em seus investimentos de renda fixa. Se as suas aplicações de renda fixa estão rendendo menos que 2% em 12 meses, você pode melhorar, e muito, a sua carteira de investimentos.

Diante de tudo isso que acabo de colocar para você, me diga: qual é a sua desculpa para continuar ganhando apenas 70% da Taxa Selic na poupança? Os títulos Selic estão disponíveis a qualquer investidor brasileiro que possua por volta de R$ 100, ao menos. Vamos te explicar como fazer essa transição nas próximas semanas, combinado?

Mas já fica a lição: investir em títulos Selic é mais rentável e seguro que deixar o dinheiro na poupança. Com essa informação, você já pode melhorar – e mudar – a sua vida financeira e de todas as próximas gerações.

Até o artigo da semana que vem!

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- Rafael Melo, Sócio Assessor Farol Capital


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